Despertador. Abro os olhos. Desperta dor. Ganho tempo, perco tempo, dou tempo, tempo peço. Corro e nos ponteiros tropeço. Espero. A espera é longa e desespero. Tic tac, tic tac, tic tac, tic tac, tic tac, tic tac, tic tac, tic tac, tic tac... Dizem que o tempo não para. O tempo devora. Meu tempo apaga. Teu tempo cura e sara. O tempo passa. É simples, passatempo. O futuro é presente, o pretérito imperfeito. Enquanto você marca o tempo, o tempo te marca.
Não tenho tempo.
terça-feira, 24 de março de 2009
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
para tudo.
para o tempo, relógio quebrado; para a tempestade, guarda-chuva; para o medo, paixão; para a pressa, música; para o sonho, insônia; para a decisão, dúvida; para o presente, futuro; para o futuro, passado; para o passado, presente; para o trabalho, horário; para a rotina, surpresas; para o sol, nuvem; para o silêncio, desespero; para o tédio, poesia; para a escrita, desenho; para a fome, pão; para viagem, telefone; para o vento, abraço; para o beijo, olhar; para a continuidade, surpresa; para a falta de ar, perfume; para a inspiração, estar; para a escrita, ser; para a transformação, correria; para a volta, espera; para ócio, início; para o horóscopo, a realidade; para precisão, intuição; para o sorriso, pranto; para o amargo, doce; para a corrida, encontro; para a busca, acaso; para a distração, versos; para a melancolia, blues; para o mau humor, risos; para a ladeira, freio; para a idéia, janela; para o impossível, destino; para o amor, outro; para a prosa, verso; para a agonia, amnésia; para a satisfação, metade; para a mágoa, culpa; para o fim, boa ideia; para tudo, o acento - que já não sei se é para mim, ou me faz parar.
domingo, 18 de janeiro de 2009
primeiro segundo
envolvendo ou não terceiros, tudo muda em um segundo. não mais que um segundo: a inspiração que faltou a meses, a idéia genial esquecida, a decisão importante, a palavra presa, o ato impensado, o tato pensado, o ônibus passando, o acidente evitável, o erro comum, o acerto incomum. a linha é sempre tênue, e nem sempre se anda na linha. o equilíbrio desequilibra. riso com lágrima nos olhos. choro com sorriso no lábio. um segundo e a chuva cai, o mundo desaba, a ofensiva, o contra-ataque, perde-se tudo, escolhem-se os números, ganha-se o mundo. o para fica parado e perde seu acento, o micro se separa das ondas. eu disse que não mudo. basta um segundo, nem precisa de terceiro, e eu mudo. não gosto desse segundo. prefiro o primeiro.
eu queria ter um homônimo e uns três heterônimos, queria continuar indo ao cinema de manhã uma vez por semana, mas só filmes bons. queria ganhar umas quatro vezes o que eu ganho e queria o loft l-i-n-d-o da buenos aires, queria ter mil idéias geniais todos os dias e esquecer de metade - e quebrar minha cabeça para lembrar, queria também um dia com 48h. provavelmente nas primeiras 336 horas (o equivalente a uma semana nessa escala) eu voltasse a nadar, fizesse yoga, lesse meus livros comprados na empolgação e começasse o meu. eu queria pegar uma mochila e rodar o mundo, mas sei que eu precisaria de umas 8754659 malas. queria conhecer todas as linguas(no sentido de idiomas, é óbvio) do mundo fluentemente. eu queria fazer um roteiro de filme, dizer alguma frase célebre e presenciar um milagre. e o mais importante: queria isso tudo num primeiro segundo.
tô aqui também. e mais direta e frequentemente :)
eu queria ter um homônimo e uns três heterônimos, queria continuar indo ao cinema de manhã uma vez por semana, mas só filmes bons. queria ganhar umas quatro vezes o que eu ganho e queria o loft l-i-n-d-o da buenos aires, queria ter mil idéias geniais todos os dias e esquecer de metade - e quebrar minha cabeça para lembrar, queria também um dia com 48h. provavelmente nas primeiras 336 horas (o equivalente a uma semana nessa escala) eu voltasse a nadar, fizesse yoga, lesse meus livros comprados na empolgação e começasse o meu. eu queria pegar uma mochila e rodar o mundo, mas sei que eu precisaria de umas 8754659 malas. queria conhecer todas as linguas(no sentido de idiomas, é óbvio) do mundo fluentemente. eu queria fazer um roteiro de filme, dizer alguma frase célebre e presenciar um milagre. e o mais importante: queria isso tudo num primeiro segundo.
tô aqui também. e mais direta e frequentemente :)
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
controle remoto
Para ler ouvindo Across The Universe - The Beatles (só clicar)
não, não há nada que de mim me faça ficar diferente. mudo a posição da cama, o estilo de filme, o playlist. mudo a ordem dos livros na estante, por temática, autores e cor, não adianta: minhas reações eu sei de cor. mudo a roupa na hora de sair e o modo de me divertir. não mudei, mas acho que já não fecho os olhos na hora de sorrir. mudo o que vou ler: saio dos contos e arrisco um romance. passo das poesias para as biografias. penso em mudar o mundo e meu mundo não mudou. acendo incenso, mudo a cor das paredes e o lado de dormir. desligo o jazz e coloco rock, mudo os horários, paro de correr. piso só no branco da calçada, sento virada no ônibus, dirijo o carro, piso no preto. ainda igual. mudo o jeito de dançar, mudo o olhar, mudo até de par. nada muda. falo, falo falo. penso. mais emocional. tudo igual. racional? aí é que nada muda. tento fotografia, pinto um quadro, escrevo poesia, falo esperanto. mudo a língua, a trilha sonora, o cenário e a direção. o roteiro continua intacto. mudo de mesa, mudo de lado, mudo a mão. mudo o gosto, o sabor e a bebida. tento nova york, paris, madrid e londres. transformo natal em carnaval, promessas em sonhos e transformo terra em mar. transformar. tomo sol e peço chuva. não carrego guarda-chuva. mudo o horário do banho, a marca do shampoo e o som. nada mudou. mudo a ordem, faço faxina, troco o calendário. mudo o perfume, o travesseiro e o jeito de respirar. mudo de companhias, mudo as marcas e as manias. espero e já canso. não espero mais. espero ajuda dos astros. espero a lua em câncer, vênus em libra e marte em áries. aqui dentro, tá tudo como estava. trocos os fones pelo vinil, o cinza pelo anil. faço uma tatuagem, não pago a passagem, mudo de sala no cinema. reencontro velhos amigos, faço novos amigos. eu não mudo. tento meditação, corrida e violão. dança, coral e estudos literários. tudo em vão.
ah, que vão. apelo e ligo a televisão. mudo o canal. tudo igual.
controle remoto.
não, não há nada que de mim me faça ficar diferente. mudo a posição da cama, o estilo de filme, o playlist. mudo a ordem dos livros na estante, por temática, autores e cor, não adianta: minhas reações eu sei de cor. mudo a roupa na hora de sair e o modo de me divertir. não mudei, mas acho que já não fecho os olhos na hora de sorrir. mudo o que vou ler: saio dos contos e arrisco um romance. passo das poesias para as biografias. penso em mudar o mundo e meu mundo não mudou. acendo incenso, mudo a cor das paredes e o lado de dormir. desligo o jazz e coloco rock, mudo os horários, paro de correr. piso só no branco da calçada, sento virada no ônibus, dirijo o carro, piso no preto. ainda igual. mudo o jeito de dançar, mudo o olhar, mudo até de par. nada muda. falo, falo falo. penso. mais emocional. tudo igual. racional? aí é que nada muda. tento fotografia, pinto um quadro, escrevo poesia, falo esperanto. mudo a língua, a trilha sonora, o cenário e a direção. o roteiro continua intacto. mudo de mesa, mudo de lado, mudo a mão. mudo o gosto, o sabor e a bebida. tento nova york, paris, madrid e londres. transformo natal em carnaval, promessas em sonhos e transformo terra em mar. transformar. tomo sol e peço chuva. não carrego guarda-chuva. mudo o horário do banho, a marca do shampoo e o som. nada mudou. mudo a ordem, faço faxina, troco o calendário. mudo o perfume, o travesseiro e o jeito de respirar. mudo de companhias, mudo as marcas e as manias. espero e já canso. não espero mais. espero ajuda dos astros. espero a lua em câncer, vênus em libra e marte em áries. aqui dentro, tá tudo como estava. trocos os fones pelo vinil, o cinza pelo anil. faço uma tatuagem, não pago a passagem, mudo de sala no cinema. reencontro velhos amigos, faço novos amigos. eu não mudo. tento meditação, corrida e violão. dança, coral e estudos literários. tudo em vão.
ah, que vão. apelo e ligo a televisão. mudo o canal. tudo igual.
controle remoto.
domingo, 16 de novembro de 2008
Não tenho tido tempo para romances.
Não tenho tido tempo para romances. Eles mal começam e eu já me canso. Podem ser apresentados por amigos, ou escolhidos à esmo. Eu ali, ele lá. Nós aqui. Confesso que começo sempre cheia de expectativas. 'é legal', dizem uns. 'é a sua cara, você vai adorar', dizem outros. 'putaqueopariu, me achei', penso eu. Logo me envolvo. Quando desenvolvo: já era. Cansei. Não tenho tido paciência para romances.
Não tenho tido paciência para romances. Na falta do meu tempo, ele me espera. Mas eu não me desespero. O próximo passo é quando eu começo a gostar. Logo penso que vou largar amigos, festas e saídas, para ficar trancada em casa com ele em um sábado qualquer. Quando sinto falta, lembro das provas da faculdade e que meu trabalho ocupa todas as minhas tardes. Não tenho tido tempo para romances.
Não tenho tido tempo para romances. Sei que eles vão mudar a minha forma de ocupar as horas vagas e tirar meu sono. Vou trocar meus filmes e músicas por ele. Sei também que vai acabar. E aí? como eu fico? sozinha, é claro. Os romances não estão nem aí quando terminam. Vão para longe e logo estão na mão de outra qualquer. Em uma noite estão ao nosso lado, bem pertinho... nos vendo dormir. Parecem nem ligar quando soltamos deles para tirar um cochilo, ficam ali quietinhos esperando a gente. Acordamos e eles estão ali, quase na mesma posição, só nos esperando. Tão indefesos e submissos, mas vai acabar. E toda essa paciência vai ser de outra pessoa. E eu? Oras, eu Não tenho tido paciência para romances.
Não tenho tido paciência para romances. Alguns deles são tão complicados, outros confusos e tantos outros tão cansativos. Às vezes você tem dois romances por vez. E não é infidelidade. É para equilibrar: um simples, um difícil. Ninguém quer complicações o tempo todo, mas o que é fácil demais também cansa. Eles até parecem entender, ou fingem não ver. Alguns duram meses, outros eu termino em menos de uma semana. Alguns eu acabo antes de chegar ao fim - mas, sim, assumo, às vezes, sem ter o que fazer, acabo pegando novamente. Rápido e prático, porém sem maiores objetivos. Não tenho tido tempo para romances.
Não tenho tido tempo para romances. Não tenho tido paciência para romances. Por isso só tenho lidos contos, crônicas e poesia.
Não tenho tido paciência para romances. Na falta do meu tempo, ele me espera. Mas eu não me desespero. O próximo passo é quando eu começo a gostar. Logo penso que vou largar amigos, festas e saídas, para ficar trancada em casa com ele em um sábado qualquer. Quando sinto falta, lembro das provas da faculdade e que meu trabalho ocupa todas as minhas tardes. Não tenho tido tempo para romances.
Não tenho tido tempo para romances. Sei que eles vão mudar a minha forma de ocupar as horas vagas e tirar meu sono. Vou trocar meus filmes e músicas por ele. Sei também que vai acabar. E aí? como eu fico? sozinha, é claro. Os romances não estão nem aí quando terminam. Vão para longe e logo estão na mão de outra qualquer. Em uma noite estão ao nosso lado, bem pertinho... nos vendo dormir. Parecem nem ligar quando soltamos deles para tirar um cochilo, ficam ali quietinhos esperando a gente. Acordamos e eles estão ali, quase na mesma posição, só nos esperando. Tão indefesos e submissos, mas vai acabar. E toda essa paciência vai ser de outra pessoa. E eu? Oras, eu Não tenho tido paciência para romances.
Não tenho tido paciência para romances. Alguns deles são tão complicados, outros confusos e tantos outros tão cansativos. Às vezes você tem dois romances por vez. E não é infidelidade. É para equilibrar: um simples, um difícil. Ninguém quer complicações o tempo todo, mas o que é fácil demais também cansa. Eles até parecem entender, ou fingem não ver. Alguns duram meses, outros eu termino em menos de uma semana. Alguns eu acabo antes de chegar ao fim - mas, sim, assumo, às vezes, sem ter o que fazer, acabo pegando novamente. Rápido e prático, porém sem maiores objetivos. Não tenho tido tempo para romances.
Não tenho tido tempo para romances. Não tenho tido paciência para romances. Por isso só tenho lidos contos, crônicas e poesia.
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
Ame o poema.
A base do teto desaba.
Adias a saida
A sua pausa. Erro comum ocorre.
O breve verbo: reviver.
Rir é ferir.
Somávamos.
Sós, reveses e teses. E versos?
A base desatola calotas e desaba.
A nota é átona.
A dose de soda. O nó do dono.
Ato idiota. O ânimo domina-o.
A dica é ácida: AME O POEMA.
Notas de rodapé:
Nota¹ - Um palíndromo é uma palavra, frase ou qualquer outra sequência de unidades que tenha a propriedade de poder ser lida tanto da direita para a esquerda como da esquerda para a direita. Num palíndromo, normalmente são desconsiderados os sinais ortográficos, assim como o espaços entre palavras.
Nota² - Talvez você entenda melhor se ler cada frase do poema ao contrário, ou seja, da direita para a esquerda.
Adias a saida
A sua pausa. Erro comum ocorre.
O breve verbo: reviver.
Rir é ferir.
Somávamos.
Sós, reveses e teses. E versos?
A base desatola calotas e desaba.
A nota é átona.
A dose de soda. O nó do dono.
Ato idiota. O ânimo domina-o.
A dica é ácida: AME O POEMA.
Notas de rodapé:
Nota¹ - Um palíndromo é uma palavra, frase ou qualquer outra sequência de unidades que tenha a propriedade de poder ser lida tanto da direita para a esquerda como da esquerda para a direita. Num palíndromo, normalmente são desconsiderados os sinais ortográficos, assim como o espaços entre palavras.
Nota² - Talvez você entenda melhor se ler cada frase do poema ao contrário, ou seja, da direita para a esquerda.
sexta-feira, 31 de outubro de 2008
pára escrever de amor.
escrever de amor deve ser bem fácil, talvez por isso eu não escreva. todas aquelas palavras batidas, saindo de rostos abatidos. dos substantivos: devaneios, vestígios, saudade, sonho. tudo ao som de canções, ritmos, música. prefiro os fones de ouvido, talvez por isso eu não escreva. prefiro também a realidade e, embora eu devaneie vezenquando, nunca soube muito bem quando usar essa palavra. partes do corpo não podem faltar, e sempre aquelas mesmas: olhos, sorriso, boca. eu sempre gostei mais de nariz, talvez por isso eu não escreva. perfume, cheiro, suor. me mostre um texto de amor que não tenha uma dessas três palavras, que te mostro alguém que ache beatles uma droga.
escrever de amor deve ser bem fácil, talvez por isso cause problemas. com tantos clichês, assumidos como clichês, como mudar o discurso para o próximo amor? sempre a mesma ladainha de devaneio de saudade ao sentir vestígios do seu cheiro no travesseiro. a saudade sua boca beijando meus olhos ao som daquela canção tão nossa, no ritmo perfeito. um sonho. oras, pro outro amor, basta mudar a ordem. sonhos perfeitos quando sinto seu cheiro no travesseiro. vestígios da saudade que me causa seus olhos na minha boca, me beijando em devaneio no ritmo da nossa canção. tão igual, para pessoas tão diferentes. talvez por isso eu não escreva.
escrever de amor deve ser bem fácil, talvez por isso seja eficiente. escrever de amor consegue o perdão, conquista a paixão. nada como ler aquele poema com seu nome grafado por entre as linhas. eternizado como tatuagem sem, no entanto, marcar eternamente. poema no guardanapo, em caderno na aula, em folha rasgada, com coração ao lado. coração na mão. do outro. não há quem não se entregue a palavras doces. escrever não é necessariamente sentir. ora, tudo pela poesia, dizem os românticos. aqueles que nunca amaram. talvez por isso eu não escreva.
escrever de amor deve ser bem fácil, talvez por isso cause problemas. com tantos clichês, assumidos como clichês, como mudar o discurso para o próximo amor? sempre a mesma ladainha de devaneio de saudade ao sentir vestígios do seu cheiro no travesseiro. a saudade sua boca beijando meus olhos ao som daquela canção tão nossa, no ritmo perfeito. um sonho. oras, pro outro amor, basta mudar a ordem. sonhos perfeitos quando sinto seu cheiro no travesseiro. vestígios da saudade que me causa seus olhos na minha boca, me beijando em devaneio no ritmo da nossa canção. tão igual, para pessoas tão diferentes. talvez por isso eu não escreva.
escrever de amor deve ser bem fácil, talvez por isso seja eficiente. escrever de amor consegue o perdão, conquista a paixão. nada como ler aquele poema com seu nome grafado por entre as linhas. eternizado como tatuagem sem, no entanto, marcar eternamente. poema no guardanapo, em caderno na aula, em folha rasgada, com coração ao lado. coração na mão. do outro. não há quem não se entregue a palavras doces. escrever não é necessariamente sentir. ora, tudo pela poesia, dizem os românticos. aqueles que nunca amaram. talvez por isso eu não escreva.
domingo, 5 de outubro de 2008
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
café literário
fui a um café com um café mais ou menos, um ambiente legalzinho e um brinde: a cada dez reais, você dava mais quatro e ganhava um livro.
eram quatro opções.
antologia poética do vinicius de moraes era o que eu queria. sonetos, poesias, canções. tinha acabado. estava em falta.
escolhi mau humor, uma antologia definitiva de frases venenosas, do ruy castro. não tinha a autoria dele, eram citações irônicas, críticas e auto-críticas.
de repente tudo se explicou.
eram quatro opções.
antologia poética do vinicius de moraes era o que eu queria. sonetos, poesias, canções. tinha acabado. estava em falta.
escolhi mau humor, uma antologia definitiva de frases venenosas, do ruy castro. não tinha a autoria dele, eram citações irônicas, críticas e auto-críticas.
de repente tudo se explicou.
o amor em duas palavras.
amortecedor.
eternamente.
é ter na mente, eternamente.
amor tece dor, mas amortece dor.
eternamente.
é ter na mente, eternamente.
amor tece dor, mas amortece dor.
terça-feira, 16 de setembro de 2008
(des)classificados
procura-se um amor. também pode ser chamado de paixão, no início. de gato ou lindo, nas mensagens de celular. de tchuco ou nenem, na intimidade. de amigo, para provocar. de ex, quando vier a terminar. não precisa ser pra sempre. desde que me faça pensar, enquanto dure, que será para sempre.
não precisa ser lindo. nariz bonitinho, sorriso aberto - de olhos fechadinhos, cabelo bagunçado e com barba por fazer, para me fazer sorrir. que acostume com a barba até eu reclamar. deixe mais alguns dias pra eu xingar cada vez que me pinicar. e então tire, pra eu chamar de criança.(um desses atributos já está de bom tamanho)
procura-se um amor que me ganhe no olhar, que me faça não parar de querer beijar. que saiba me acalmar, mas também me deixar irritada - retribuindo meu mau humor com um sorriso de satisfação. que ande de mão dada e reclame, como eu, de andar abraçado. embora me deixe ficar pendurada em seus ombros de vez em quando. uma paixão que se descabele cada vez que eu não atendo o celular e que me descabele com seu cafuné. que me separe as jujubas vermelhas e o creme do seu café. que me controle, fingindo não saber controlar. que me descontrole a cada palavra doce que me falar.
procura-se alguém que me mande mensagens de surpresa no celular e que não se esqueça de me ligar. que não faça questão de 'demonstrações públicas de afeto', mas que não esconda de mim o que sente. que seja legal com os meus amigos, minha família e, também, com o garçom. procura-se um amor que me presenteie com livros, mas só depois de tê-los lido. que me apresente tantos autores que nunca li (e deveria ler) e que aceite minhas sugestões literárias. goste de kerouac, bukowski e cite leminski. mas que saiba declamar sonetos de vinicius de moraes e frases de caio fernando abreu. que seja viciado em livros pocket, ou que, ao menos, entenda meu vício.
procura-se uma paixão que invada primeiro minhas mãos, passando pelos cabelos, pele, boca e, em tempo, minha alma. que me tire o sono, apareça nos meus sonhos e, então, ao meu lado. prefiro os com pés quentinhos e sem reclamações aos meus gelados. que, pouco a pouco, me convença a gostar de flores e comece tentando com girassóis. ou cactos. me convença também a comer salada e comece tentando com brócolis. ou beterraba.
procura-se também o bom gosto musical. cheio das novidades que eu nunca ouvi. não ligo se baixar cds, desde que faça questão de ter alguns originais. pontos a mais se ainda tiver uns lps, gostar de beatles e los hermanos. que cante desafinado comigo e caia na risada quando esquecer a letra. que renove o meu ipod e me incentive a usar headphone.
procura-se um amor que beije a ponta do meu nariz. que me faça a mais feliz. que assista filme com a coberta vermelha no sofá. que me xingue a cada filme ruim que eu escolher e ria quando eu disser que foi proposital como um pretexto pra nossos beijos. procura-se alguem que me presenteie também com dvds, ainda que gravados. que goste de almodovar, woody allen - inclusive nos livros - e não xingue os filmes brasileiros. mas que também assista a uma comédia romântica comigo de vez em quando. e ah, não tenha vergonha de chorar.
procura-se alguém que entenda que o pra sempre sempre acaba. que não me encha de mágoas, só de saudade. que seja lembrança doce que ficou pra trás. que seja a vontade incontrolável que o tempo traz. que seja sempre o caminho de voltar. que deixe o tempo nos juntar. de novo e de novo.
mas acima de tudo, procura-se alguém que me convença que nada disso que procuro é necessário. que nada disso é preciso, nem preciso. que venha com uma mochila de contra-propostas nas costas. e que venha com urgência.
não aceito devoluções, mas não peço garantia. só garanto.
não precisa ser lindo. nariz bonitinho, sorriso aberto - de olhos fechadinhos, cabelo bagunçado e com barba por fazer, para me fazer sorrir. que acostume com a barba até eu reclamar. deixe mais alguns dias pra eu xingar cada vez que me pinicar. e então tire, pra eu chamar de criança.(um desses atributos já está de bom tamanho)
procura-se um amor que me ganhe no olhar, que me faça não parar de querer beijar. que saiba me acalmar, mas também me deixar irritada - retribuindo meu mau humor com um sorriso de satisfação. que ande de mão dada e reclame, como eu, de andar abraçado. embora me deixe ficar pendurada em seus ombros de vez em quando. uma paixão que se descabele cada vez que eu não atendo o celular e que me descabele com seu cafuné. que me separe as jujubas vermelhas e o creme do seu café. que me controle, fingindo não saber controlar. que me descontrole a cada palavra doce que me falar.
procura-se alguém que me mande mensagens de surpresa no celular e que não se esqueça de me ligar. que não faça questão de 'demonstrações públicas de afeto', mas que não esconda de mim o que sente. que seja legal com os meus amigos, minha família e, também, com o garçom. procura-se um amor que me presenteie com livros, mas só depois de tê-los lido. que me apresente tantos autores que nunca li (e deveria ler) e que aceite minhas sugestões literárias. goste de kerouac, bukowski e cite leminski. mas que saiba declamar sonetos de vinicius de moraes e frases de caio fernando abreu. que seja viciado em livros pocket, ou que, ao menos, entenda meu vício.
procura-se uma paixão que invada primeiro minhas mãos, passando pelos cabelos, pele, boca e, em tempo, minha alma. que me tire o sono, apareça nos meus sonhos e, então, ao meu lado. prefiro os com pés quentinhos e sem reclamações aos meus gelados. que, pouco a pouco, me convença a gostar de flores e comece tentando com girassóis. ou cactos. me convença também a comer salada e comece tentando com brócolis. ou beterraba.
procura-se também o bom gosto musical. cheio das novidades que eu nunca ouvi. não ligo se baixar cds, desde que faça questão de ter alguns originais. pontos a mais se ainda tiver uns lps, gostar de beatles e los hermanos. que cante desafinado comigo e caia na risada quando esquecer a letra. que renove o meu ipod e me incentive a usar headphone.
procura-se um amor que beije a ponta do meu nariz. que me faça a mais feliz. que assista filme com a coberta vermelha no sofá. que me xingue a cada filme ruim que eu escolher e ria quando eu disser que foi proposital como um pretexto pra nossos beijos. procura-se alguem que me presenteie também com dvds, ainda que gravados. que goste de almodovar, woody allen - inclusive nos livros - e não xingue os filmes brasileiros. mas que também assista a uma comédia romântica comigo de vez em quando. e ah, não tenha vergonha de chorar.
procura-se alguém que entenda que o pra sempre sempre acaba. que não me encha de mágoas, só de saudade. que seja lembrança doce que ficou pra trás. que seja a vontade incontrolável que o tempo traz. que seja sempre o caminho de voltar. que deixe o tempo nos juntar. de novo e de novo.
mas acima de tudo, procura-se alguém que me convença que nada disso que procuro é necessário. que nada disso é preciso, nem preciso. que venha com uma mochila de contra-propostas nas costas. e que venha com urgência.
não aceito devoluções, mas não peço garantia. só garanto.
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
the one that saves me
E eu que nem esperava mais, de repente o vejo, ali, olhando pra mim. sinto o sorriso, meu e dele. simultaneamente. não vemos os sorrisos. nem eu, nem ele. mas está lá. eu sei que está.
apesar de não ser dada a iniciativas, me aproximo como quem quer tudo - nada de quem não quer nada. todo mundo quer alguma coisa. eu quero ele.
continua parado, estático. me encara, penetra nos meus olhos, na minha pele. invade meus pensamentos, controla meu desejo, que nessa altura já é óbvio, o quero pra mim. só pra mim. sem dividir com ninguém. sem dar satisfação a ninguém.
estamos num lugar público, é bem verdade, mas não sinto mais vergonha. o que era uma vontade, já se transformou em necessidade, ânsia, desespero. quero tomá-lo pra mim. levá-lo pra longe, pra bem longe. pra dentro de mim.
já se passaram três minutos desde que o vi pela primeira vez e, eu, oras, eu continuo feito boba olhando pra ele. quero aproveitar cada segundo antes que ele me escorra pelos vãos dos dedos, como normalmente acontece com as pessoas.
não quero e não vou decepcioná-lo. já não tenho medo da decepção. somos só nós dois. e todo o mundo ao redor pouco importa.
finalmente o toco, lentamente, com a ponta dos dedos. nesse instante, a dor e a mágoa dos acontecimentos recentes começam a desaparecer. o encaro com gratidão. minhas lágrimas que não caíram, começam a secar. o nó na garganta se transforma em vontade de gritar. gritar pra todo mundo. "quero só ele, quero só ele". adeus, dor. adeus, melancolia.
e agora? agora preciso retribuí-lo. como alguém me provoca tantos sentimentos doces, e não ganha nada em troca?
é quando encosto meus lábios nele. lentamente. começando pelos cantos. dou uma mordidinha de leve. quero mais, quero mais. encosto a ponta da língua e, por fim, ela toda. como é doce. é delicioso. já me derrete pela boca. arrepio. o que era lento, começa a aumentar o ritmo. devoro tudo.
agora já não restam dúvidas, ele é insubstituível, incomparável. o melhor de tudo é que agora é só meu, ninguém pega, ele está dentro de mim.
ai ai, nada como um chocolate para uma mulher no período pré-menstrual.
apesar de não ser dada a iniciativas, me aproximo como quem quer tudo - nada de quem não quer nada. todo mundo quer alguma coisa. eu quero ele.
continua parado, estático. me encara, penetra nos meus olhos, na minha pele. invade meus pensamentos, controla meu desejo, que nessa altura já é óbvio, o quero pra mim. só pra mim. sem dividir com ninguém. sem dar satisfação a ninguém.
estamos num lugar público, é bem verdade, mas não sinto mais vergonha. o que era uma vontade, já se transformou em necessidade, ânsia, desespero. quero tomá-lo pra mim. levá-lo pra longe, pra bem longe. pra dentro de mim.
já se passaram três minutos desde que o vi pela primeira vez e, eu, oras, eu continuo feito boba olhando pra ele. quero aproveitar cada segundo antes que ele me escorra pelos vãos dos dedos, como normalmente acontece com as pessoas.
não quero e não vou decepcioná-lo. já não tenho medo da decepção. somos só nós dois. e todo o mundo ao redor pouco importa.
finalmente o toco, lentamente, com a ponta dos dedos. nesse instante, a dor e a mágoa dos acontecimentos recentes começam a desaparecer. o encaro com gratidão. minhas lágrimas que não caíram, começam a secar. o nó na garganta se transforma em vontade de gritar. gritar pra todo mundo. "quero só ele, quero só ele". adeus, dor. adeus, melancolia.
e agora? agora preciso retribuí-lo. como alguém me provoca tantos sentimentos doces, e não ganha nada em troca?
é quando encosto meus lábios nele. lentamente. começando pelos cantos. dou uma mordidinha de leve. quero mais, quero mais. encosto a ponta da língua e, por fim, ela toda. como é doce. é delicioso. já me derrete pela boca. arrepio. o que era lento, começa a aumentar o ritmo. devoro tudo.
agora já não restam dúvidas, ele é insubstituível, incomparável. o melhor de tudo é que agora é só meu, ninguém pega, ele está dentro de mim.
ai ai, nada como um chocolate para uma mulher no período pré-menstrual.
sábado, 6 de setembro de 2008
só.
pra quem sempre esteve acostumada a muitas pessoas e agora prefere ficar sozinha: marcelo camelo e fernanda takai. solos.
a gente percebe que tá ficando adulto quando uma criança pega na tua perna achando ser a da mãe. se chora e pede um mc lanche feliz, é ainda mais doloroso.
a gente percebe que tá só e adulto quando quer mudar o blog por não se reconhecer mais, mas fica com preguiça.
a gente percebe que tá ficando adulto quando uma criança pega na tua perna achando ser a da mãe. se chora e pede um mc lanche feliz, é ainda mais doloroso.
a gente percebe que tá só e adulto quando quer mudar o blog por não se reconhecer mais, mas fica com preguiça.
terça-feira, 2 de setembro de 2008
c tem brochove?
Hoje é terça-feira
o céu borrou a cor
ó minha mão do céu
ó meu pé do chão
Eu não ouço vocês (mais alto)
eu não ouço vocês
eu não creio em vocês
Só acredito no semáforo
só acredito no avião
eu acredito no relógio
só acredito...
Hoje é terça-feira
e o céu se põe
debaixo do tapete
um tesouro
eu não acredito, não
Só acredito no semáforo
só acredito no avião
eu acredito no relógio
acredito no coração
não, não, não
Hoje é terça-feira
e todos meus amigos voam
com olhos de anis
com asas de fogo
e meus olhos cheios
de mágoa então.
Hoje é terça-feira
hoje é terça-feira
e todos meus amigos querem morrer.
o céu borrou a cor
ó minha mão do céu
ó meu pé do chão
Eu não ouço vocês (mais alto)
eu não ouço vocês
eu não creio em vocês
Só acredito no semáforo
só acredito no avião
eu acredito no relógio
só acredito...
Hoje é terça-feira
e o céu se põe
debaixo do tapete
um tesouro
eu não acredito, não
Só acredito no semáforo
só acredito no avião
eu acredito no relógio
acredito no coração
não, não, não
Hoje é terça-feira
e todos meus amigos voam
com olhos de anis
com asas de fogo
e meus olhos cheios
de mágoa então.
Hoje é terça-feira
hoje é terça-feira
e todos meus amigos querem morrer.
quarta-feira, 27 de agosto de 2008
só lida.
Solidão não é, necessariamente, estar sozinho. A solidão não vem sozinha. Solidão não é um sofá numa sala escura com uma caneca de café e um livro do caio fernando. Solidão é uma festa escura com uma garrafa de cerveja e um monte de gente rebolando a sua volta. Solidão não é o frio de cachecol. Solidão é o calor quase insuportável das costas expostas. Solidão não é subir a rua imaginando uma solução. Solidão é estar com os amigos e nenhum deles lembrar de pegar na sua mão para atravessar a rua. Solidão não é o silêncio a dois. Solidão é a conversa que não flui, o assunto que acaba. Solidão não é falar do tempo, efêmero ou lento. Solidão é falar do tempo, frio ou quente. Solidão não é um solilóquio. Solidão é um monólogo. Solidão não é um almoço sozinha em algum restaurante lotado. Solidão são os convites sem satisfação. Solidão não é o jazz ou o blues. Solidão é o carnaval, a rave e o bailão. Solidão não é a incerteza das decisões. Solidão é a verdade absoluta, o óbvio, o imutável. Solidão não é something no volume máximo no trajeto de ônibus. Solidão são umas 150 pessoas em um ônibus imenso, todas sem fones e nenhum ruído. Solidão não é baterem o telefone na tua cara. Solidão é o desliga você, amor, quando as duas partes envolvida no relacionamento já são duas partes e não uma. Solidão não é química, física e matemática. Solidão é quando só sobra a história. Solidão não é uma casinha apertada no alto de uma montanha. Solidão é a mansão da cidade grande, da piscina nunca usada. Solidão não é ter mil coisas pra fazer. Solidão é não tem alguém pra te ajudar. Solidão não é não saber. Solidão é ignorar. Solidão não é o choconhaque. Solidão é o martini. Solidão não é permanecer o mesmo. Solidão é mudar mudar mudar, todo dia, toda hora. Solidão não é se enganar com mentiras. Solidão é se iludir com verdades. Solidão não é ter ciúme da ex do seu atual. Solidão é ser sempre odiada pelas atuais. Ser sempre a ex namorada. Solidão não é sair sozinho. Solidão é beijar dez. Solidão não é baixar a cabeça para não ter de conversar. Solidão é falar sem parar. Solidão não é lembrar do passado. Solidão é querer saber do futuro. Solidão não é comprar mais um livro, embora não tenha acabado o que comprou antes. Solidão é comprar roupas que você nunca vai usar. Solidão não é levar um fora. Solidão é ganhar uma rosa ou um abraço de urso - via buddypoke. Solidão não é sentir ciume sozinho. Solidão é o ciume mútuo. Solidão não são as lágrimas. Solidão é o riso eufórico. Solidão não é o parnasianismo. Solidão é o concretismo. Solidão não é um texto seu. Solidão é um poema seu.
Solidão.
Só
lidar
só lidam
só lida
só
li
da
só lhe dão...
solidão
sólida.
Solidão.
Só
lidar
só lidam
só lida
só
li
da
só lhe dão...
solidão
sólida.
domingo, 10 de agosto de 2008
in-sen-sí-vel.
Embora eu (sobre)viva sob uma armadura - ou mesmo um escafandro, desses que permitem mergulhar fundo, fundo -, não posso admitir que me chamem de insensível. eu sinto. sinto não sentir, sinto sentir, mas nunca, JAMAIS, não sinto sentir. eu sinto. sinto muito. não tenho o lirismo de caio fernando, clarice lispector. não tenho lido sentimentalismos, mas posso dizer que lido com tais. Ao contrário, tenho skiado nas páginas de leminski e bukowski. os loucos incompreendidos. querem sensibilidade assim, descarada ? oras, já é agosto.
tenho tanto o que falar. tanto do ano que se passou desde que "comecei" com essa brincadeira de escrever pra todo mundo ler, tanto do último mês, dos últimos dias, das últimas horas, até dos últimos segundos - que por serem segundos, não são primeiros. Muda. MUDA. já não posto o que escrevo e provavelmente isso só vire post para eu me surpreender comigo mesma. esperar ser surpreendida pelos outros só tem me dado um resultado único e decepcionante: todo mundo é previsível. já calculo cada passo, de cada pessoa. é tudo tão óbvio quanto eu saber que a cada manhã às 6:00 meu despertador vai me acordar ao som de los hermanos, que vou dormir 10 minutinhos a mais, que vou sair de casa em cima da hora e ouvir reclamação da minha mãe pelo horário, que vou ter vontade de passar no mc donalds tomar um café de 400 mL (bendito seja), que vou desistir da idéia para não chegar atrasada na aula. e, depois disso, eu já sinto que vou desistir de todas (ou quase) as boas idéias que tenho. sinto muito.
tenho tanto o que falar. tanto do ano que se passou desde que "comecei" com essa brincadeira de escrever pra todo mundo ler, tanto do último mês, dos últimos dias, das últimas horas, até dos últimos segundos - que por serem segundos, não são primeiros. Muda. MUDA. já não posto o que escrevo e provavelmente isso só vire post para eu me surpreender comigo mesma. esperar ser surpreendida pelos outros só tem me dado um resultado único e decepcionante: todo mundo é previsível. já calculo cada passo, de cada pessoa. é tudo tão óbvio quanto eu saber que a cada manhã às 6:00 meu despertador vai me acordar ao som de los hermanos, que vou dormir 10 minutinhos a mais, que vou sair de casa em cima da hora e ouvir reclamação da minha mãe pelo horário, que vou ter vontade de passar no mc donalds tomar um café de 400 mL (bendito seja), que vou desistir da idéia para não chegar atrasada na aula. e, depois disso, eu já sinto que vou desistir de todas (ou quase) as boas idéias que tenho. sinto muito.
terça-feira, 15 de julho de 2008
quarta-feira, 25 de junho de 2008
Primeiro encontro ideal - Cara Estranho e A Flor
para ler ouvindo Sentimental do Los Hermanos.
dia frio de nariz vermelho, cachecol e da respiração mais forte e dolorosa. a dor aqui não é só pelo frio, ambos estavam frustrados e desacreditados. era um frio interno misturado com o externo naquela combinação que te faz tremer e te aperta, por todos os lados - sem o conforto de um abraço. ela tinha 40 minutos para chegar no trabalho, que era logo ali. ele tinha o mesmo tempo. tiveram também a mesma idéia de entrar em um café do centro da cidade cinzenta. ela achava o lugar bonito e, embora nunca tivesse entrado, sempre tivera uma vontade imensa de conhecer. ele conhecia, mas era um café como outro qualquer (só mais caro e perto, pensava ele).
ela sentou em uma mesa e tirou seu livro recém-começado. "um simples médio com creme, por favor". ele sentou nos bancos do balcão. "um espresso". os olhares enfim se cruzaram e, por mais que pareça idealizado, o tempo parou. tudo parou. eram só os dois. levantou e não precisou pedir, sentou na mesa com ela. ela guardou o livro na mochila - que lhe dava um ar especialmente colegial - e tirou os fones de ouvido que a isolavam do mundo. não queria mais se isolar, queria entrar no mundo do menino que agora estava frente a frente a ela. o menino do sorriso indeciso.
- o que você tava ouvindo?
- los hermanos. de onde vem a calma, sabe?
- ele não sabe ser melhor, viu. canta para mim, qualquer coisa assim sobre você (que explique a minha paz, tristeza nunca mais)
- se eu peco é na vontade de ter um amor de verdade
- deixa ser como será.
- nesta espera o mundo gira em linhas tortas
- moça, é preciso força pra sonhar e perceber que a estrada vai além do que se vê
- você supõe o céu. como pode alguém sonhar o que é impossível saber?
- ah, se o que eu sou é também o que eu escolhi ser, aceito a condição
- veja você, onde é que o barco foi desaguar...
- veja bem, meu bem. cada dia a mais é um a menos pro encontro acontecer
- talhando feito um artesão, a imagem de um rapaz de bem...
- e você... anda sozinha, me esperando pra dizer coisas de amor
- meu bem, você traz o mundo a meus pés
- és certeza entre o sim e o não
- loucura.
- até amanhã eu vou ficar, e fazer do teu sorriso um abrigo.
- do lado de dentro...
- és de tudo que mais belo existe
- é o mundo que anda hostil, o mundo todo é hostil. ninguém escapa o peso de viver assim...
- prefiro assim com você, juntinho, sem caber de imaginar
- o vento vai dizer...
- deixa o verão pra mais tarde
- enquanto eu penso você sugeriu um bom motivo pra tudo atrasar
- todo mundo sabe, quem te faz chegar mais tarde
- está tarde esta tarde, preciso ir... tenho 10 minutos para chegar no trabalho... adeus você
beijo
- ainda é cedo. eu vou tirar você desse lugar, eu vou levar você pra ficar comigo...
- ninguém dirá que é tarde demais
- tô voltando, não sei quando, pra roubar teu coração.
- nada vai mudar entre nós. já não vejo motivos. a gente é quem sabe, pequeno.
brilho nos olhos e nos sorrisos largos. o não amar é que é loucura.
toca o interfone do trabalho. ela atende. "tem algo aqui pra você".
um bilhete: "olha as flores que eu trouxe pra você, amor. são pra comemorar aquele dia que passei a viver do teu lado. te busco para ver deitar o sol." e algumas flores da rua junto com tulipa mais bonita que ela havia visto em toda a vida.
ela, que não ligava para flores, sorriu em paz. "ele é mais sentimental que eu"...
dia frio de nariz vermelho, cachecol e da respiração mais forte e dolorosa. a dor aqui não é só pelo frio, ambos estavam frustrados e desacreditados. era um frio interno misturado com o externo naquela combinação que te faz tremer e te aperta, por todos os lados - sem o conforto de um abraço. ela tinha 40 minutos para chegar no trabalho, que era logo ali. ele tinha o mesmo tempo. tiveram também a mesma idéia de entrar em um café do centro da cidade cinzenta. ela achava o lugar bonito e, embora nunca tivesse entrado, sempre tivera uma vontade imensa de conhecer. ele conhecia, mas era um café como outro qualquer (só mais caro e perto, pensava ele).
ela sentou em uma mesa e tirou seu livro recém-começado. "um simples médio com creme, por favor". ele sentou nos bancos do balcão. "um espresso". os olhares enfim se cruzaram e, por mais que pareça idealizado, o tempo parou. tudo parou. eram só os dois. levantou e não precisou pedir, sentou na mesa com ela. ela guardou o livro na mochila - que lhe dava um ar especialmente colegial - e tirou os fones de ouvido que a isolavam do mundo. não queria mais se isolar, queria entrar no mundo do menino que agora estava frente a frente a ela. o menino do sorriso indeciso.
- o que você tava ouvindo?
- los hermanos. de onde vem a calma, sabe?
- ele não sabe ser melhor, viu. canta para mim, qualquer coisa assim sobre você (que explique a minha paz, tristeza nunca mais)
- se eu peco é na vontade de ter um amor de verdade
- deixa ser como será.
- nesta espera o mundo gira em linhas tortas
- moça, é preciso força pra sonhar e perceber que a estrada vai além do que se vê
- você supõe o céu. como pode alguém sonhar o que é impossível saber?
- ah, se o que eu sou é também o que eu escolhi ser, aceito a condição
- veja você, onde é que o barco foi desaguar...
- veja bem, meu bem. cada dia a mais é um a menos pro encontro acontecer
- talhando feito um artesão, a imagem de um rapaz de bem...
- e você... anda sozinha, me esperando pra dizer coisas de amor
- meu bem, você traz o mundo a meus pés
- és certeza entre o sim e o não
- loucura.
- até amanhã eu vou ficar, e fazer do teu sorriso um abrigo.
- do lado de dentro...
- és de tudo que mais belo existe
- é o mundo que anda hostil, o mundo todo é hostil. ninguém escapa o peso de viver assim...
- prefiro assim com você, juntinho, sem caber de imaginar
- o vento vai dizer...
- deixa o verão pra mais tarde
- enquanto eu penso você sugeriu um bom motivo pra tudo atrasar
- todo mundo sabe, quem te faz chegar mais tarde
- está tarde esta tarde, preciso ir... tenho 10 minutos para chegar no trabalho... adeus você
beijo
- ainda é cedo. eu vou tirar você desse lugar, eu vou levar você pra ficar comigo...
- ninguém dirá que é tarde demais
- tô voltando, não sei quando, pra roubar teu coração.
- nada vai mudar entre nós. já não vejo motivos. a gente é quem sabe, pequeno.
brilho nos olhos e nos sorrisos largos. o não amar é que é loucura.
toca o interfone do trabalho. ela atende. "tem algo aqui pra você".
um bilhete: "olha as flores que eu trouxe pra você, amor. são pra comemorar aquele dia que passei a viver do teu lado. te busco para ver deitar o sol." e algumas flores da rua junto com tulipa mais bonita que ela havia visto em toda a vida.
ela, que não ligava para flores, sorriu em paz. "ele é mais sentimental que eu"...
domingo, 22 de junho de 2008
o que dizem os "não posts"
final de junho e só agora estou aqui. embora eu continue relutando para não me manifestar, aos mais atentos não é difícil perceber que o silêncio diz bem mais que os um milhão de posts que ficaram guardados nos tubos de ônibus e de shampoo. no banco das praças e nas xícaras de café. foram tantas boas idéias, mas o silêncio consegue falar mais alto. ele grita. meu silêncio jogou na minha cara a minha dificuldade em lidar com frustrações comigo mesma. o quanto não sei lidar com as minhas inseguranças e as minhas falhas. o quanto persistir no erro me dói, quase como um soco. o silêncio me contou também o quanto não gosto de falar da minha vida pessoal, prefiro aguentar sozinha. odeio desaprovações e conselhos não pedidos. me jogou na cara também minha idéia de auto-suficiência (?!). ora me provando que é sólida, ora que é gasosa... daquela que se espalha no ar e some com um sopro leve. o silêncio me convenceu também que o que eu quero/espero não existe. finalmente decidi por um caminho, vou começar a escrever ficção.
sábado, 31 de maio de 2008
Me disseram que é bom mudar...
porque agora eu estou muitíssimo bem acompanhada. e tenho dito.
prometo mais atenção aos meus. esses novinhos.
apresentando. da esquerda para a direita. café-combustível sobre o que me faz precisar dele, kerouac das idéias de sair (e viajar) sem rumo, alta fidelidade a hornby na música, o velho safado, holden caulfield (minha alma gêmea), os meninos de liverpool no melhor estilo psicodélico, aqueles que precisam voltar logo - os dois últimos juntos foram minha trilha sonora diária e, por fim, meu companheiro de ônibus, faculdade, trabalho, cama...
bem básico.
tipo hering.
:D
prometo mais atenção aos meus. esses novinhos.
apresentando. da esquerda para a direita. café-combustível sobre o que me faz precisar dele, kerouac das idéias de sair (e viajar) sem rumo, alta fidelidade a hornby na música, o velho safado, holden caulfield (minha alma gêmea), os meninos de liverpool no melhor estilo psicodélico, aqueles que precisam voltar logo - os dois últimos juntos foram minha trilha sonora diária e, por fim, meu companheiro de ônibus, faculdade, trabalho, cama...
bem básico.
tipo hering.
:D

