fui a um café com um café mais ou menos, um ambiente legalzinho e um brinde: a cada dez reais, você dava mais quatro e ganhava um livro.
eram quatro opções.
antologia poética do vinicius de moraes era o que eu queria. sonetos, poesias, canções. tinha acabado. estava em falta.
escolhi mau humor, uma antologia definitiva de frases venenosas, do ruy castro. não tinha a autoria dele, eram citações irônicas, críticas e auto-críticas.
de repente tudo se explicou.
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
o amor em duas palavras.
amortecedor.
eternamente.
é ter na mente, eternamente.
amor tece dor, mas amortece dor.
eternamente.
é ter na mente, eternamente.
amor tece dor, mas amortece dor.
terça-feira, 16 de setembro de 2008
(des)classificados
procura-se um amor. também pode ser chamado de paixão, no início. de gato ou lindo, nas mensagens de celular. de tchuco ou nenem, na intimidade. de amigo, para provocar. de ex, quando vier a terminar. não precisa ser pra sempre. desde que me faça pensar, enquanto dure, que será para sempre.
não precisa ser lindo. nariz bonitinho, sorriso aberto - de olhos fechadinhos, cabelo bagunçado e com barba por fazer, para me fazer sorrir. que acostume com a barba até eu reclamar. deixe mais alguns dias pra eu xingar cada vez que me pinicar. e então tire, pra eu chamar de criança.(um desses atributos já está de bom tamanho)
procura-se um amor que me ganhe no olhar, que me faça não parar de querer beijar. que saiba me acalmar, mas também me deixar irritada - retribuindo meu mau humor com um sorriso de satisfação. que ande de mão dada e reclame, como eu, de andar abraçado. embora me deixe ficar pendurada em seus ombros de vez em quando. uma paixão que se descabele cada vez que eu não atendo o celular e que me descabele com seu cafuné. que me separe as jujubas vermelhas e o creme do seu café. que me controle, fingindo não saber controlar. que me descontrole a cada palavra doce que me falar.
procura-se alguém que me mande mensagens de surpresa no celular e que não se esqueça de me ligar. que não faça questão de 'demonstrações públicas de afeto', mas que não esconda de mim o que sente. que seja legal com os meus amigos, minha família e, também, com o garçom. procura-se um amor que me presenteie com livros, mas só depois de tê-los lido. que me apresente tantos autores que nunca li (e deveria ler) e que aceite minhas sugestões literárias. goste de kerouac, bukowski e cite leminski. mas que saiba declamar sonetos de vinicius de moraes e frases de caio fernando abreu. que seja viciado em livros pocket, ou que, ao menos, entenda meu vício.
procura-se uma paixão que invada primeiro minhas mãos, passando pelos cabelos, pele, boca e, em tempo, minha alma. que me tire o sono, apareça nos meus sonhos e, então, ao meu lado. prefiro os com pés quentinhos e sem reclamações aos meus gelados. que, pouco a pouco, me convença a gostar de flores e comece tentando com girassóis. ou cactos. me convença também a comer salada e comece tentando com brócolis. ou beterraba.
procura-se também o bom gosto musical. cheio das novidades que eu nunca ouvi. não ligo se baixar cds, desde que faça questão de ter alguns originais. pontos a mais se ainda tiver uns lps, gostar de beatles e los hermanos. que cante desafinado comigo e caia na risada quando esquecer a letra. que renove o meu ipod e me incentive a usar headphone.
procura-se um amor que beije a ponta do meu nariz. que me faça a mais feliz. que assista filme com a coberta vermelha no sofá. que me xingue a cada filme ruim que eu escolher e ria quando eu disser que foi proposital como um pretexto pra nossos beijos. procura-se alguem que me presenteie também com dvds, ainda que gravados. que goste de almodovar, woody allen - inclusive nos livros - e não xingue os filmes brasileiros. mas que também assista a uma comédia romântica comigo de vez em quando. e ah, não tenha vergonha de chorar.
procura-se alguém que entenda que o pra sempre sempre acaba. que não me encha de mágoas, só de saudade. que seja lembrança doce que ficou pra trás. que seja a vontade incontrolável que o tempo traz. que seja sempre o caminho de voltar. que deixe o tempo nos juntar. de novo e de novo.
mas acima de tudo, procura-se alguém que me convença que nada disso que procuro é necessário. que nada disso é preciso, nem preciso. que venha com uma mochila de contra-propostas nas costas. e que venha com urgência.
não aceito devoluções, mas não peço garantia. só garanto.
não precisa ser lindo. nariz bonitinho, sorriso aberto - de olhos fechadinhos, cabelo bagunçado e com barba por fazer, para me fazer sorrir. que acostume com a barba até eu reclamar. deixe mais alguns dias pra eu xingar cada vez que me pinicar. e então tire, pra eu chamar de criança.(um desses atributos já está de bom tamanho)
procura-se um amor que me ganhe no olhar, que me faça não parar de querer beijar. que saiba me acalmar, mas também me deixar irritada - retribuindo meu mau humor com um sorriso de satisfação. que ande de mão dada e reclame, como eu, de andar abraçado. embora me deixe ficar pendurada em seus ombros de vez em quando. uma paixão que se descabele cada vez que eu não atendo o celular e que me descabele com seu cafuné. que me separe as jujubas vermelhas e o creme do seu café. que me controle, fingindo não saber controlar. que me descontrole a cada palavra doce que me falar.
procura-se alguém que me mande mensagens de surpresa no celular e que não se esqueça de me ligar. que não faça questão de 'demonstrações públicas de afeto', mas que não esconda de mim o que sente. que seja legal com os meus amigos, minha família e, também, com o garçom. procura-se um amor que me presenteie com livros, mas só depois de tê-los lido. que me apresente tantos autores que nunca li (e deveria ler) e que aceite minhas sugestões literárias. goste de kerouac, bukowski e cite leminski. mas que saiba declamar sonetos de vinicius de moraes e frases de caio fernando abreu. que seja viciado em livros pocket, ou que, ao menos, entenda meu vício.
procura-se uma paixão que invada primeiro minhas mãos, passando pelos cabelos, pele, boca e, em tempo, minha alma. que me tire o sono, apareça nos meus sonhos e, então, ao meu lado. prefiro os com pés quentinhos e sem reclamações aos meus gelados. que, pouco a pouco, me convença a gostar de flores e comece tentando com girassóis. ou cactos. me convença também a comer salada e comece tentando com brócolis. ou beterraba.
procura-se também o bom gosto musical. cheio das novidades que eu nunca ouvi. não ligo se baixar cds, desde que faça questão de ter alguns originais. pontos a mais se ainda tiver uns lps, gostar de beatles e los hermanos. que cante desafinado comigo e caia na risada quando esquecer a letra. que renove o meu ipod e me incentive a usar headphone.
procura-se um amor que beije a ponta do meu nariz. que me faça a mais feliz. que assista filme com a coberta vermelha no sofá. que me xingue a cada filme ruim que eu escolher e ria quando eu disser que foi proposital como um pretexto pra nossos beijos. procura-se alguem que me presenteie também com dvds, ainda que gravados. que goste de almodovar, woody allen - inclusive nos livros - e não xingue os filmes brasileiros. mas que também assista a uma comédia romântica comigo de vez em quando. e ah, não tenha vergonha de chorar.
procura-se alguém que entenda que o pra sempre sempre acaba. que não me encha de mágoas, só de saudade. que seja lembrança doce que ficou pra trás. que seja a vontade incontrolável que o tempo traz. que seja sempre o caminho de voltar. que deixe o tempo nos juntar. de novo e de novo.
mas acima de tudo, procura-se alguém que me convença que nada disso que procuro é necessário. que nada disso é preciso, nem preciso. que venha com uma mochila de contra-propostas nas costas. e que venha com urgência.
não aceito devoluções, mas não peço garantia. só garanto.
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
the one that saves me
E eu que nem esperava mais, de repente o vejo, ali, olhando pra mim. sinto o sorriso, meu e dele. simultaneamente. não vemos os sorrisos. nem eu, nem ele. mas está lá. eu sei que está.
apesar de não ser dada a iniciativas, me aproximo como quem quer tudo - nada de quem não quer nada. todo mundo quer alguma coisa. eu quero ele.
continua parado, estático. me encara, penetra nos meus olhos, na minha pele. invade meus pensamentos, controla meu desejo, que nessa altura já é óbvio, o quero pra mim. só pra mim. sem dividir com ninguém. sem dar satisfação a ninguém.
estamos num lugar público, é bem verdade, mas não sinto mais vergonha. o que era uma vontade, já se transformou em necessidade, ânsia, desespero. quero tomá-lo pra mim. levá-lo pra longe, pra bem longe. pra dentro de mim.
já se passaram três minutos desde que o vi pela primeira vez e, eu, oras, eu continuo feito boba olhando pra ele. quero aproveitar cada segundo antes que ele me escorra pelos vãos dos dedos, como normalmente acontece com as pessoas.
não quero e não vou decepcioná-lo. já não tenho medo da decepção. somos só nós dois. e todo o mundo ao redor pouco importa.
finalmente o toco, lentamente, com a ponta dos dedos. nesse instante, a dor e a mágoa dos acontecimentos recentes começam a desaparecer. o encaro com gratidão. minhas lágrimas que não caíram, começam a secar. o nó na garganta se transforma em vontade de gritar. gritar pra todo mundo. "quero só ele, quero só ele". adeus, dor. adeus, melancolia.
e agora? agora preciso retribuí-lo. como alguém me provoca tantos sentimentos doces, e não ganha nada em troca?
é quando encosto meus lábios nele. lentamente. começando pelos cantos. dou uma mordidinha de leve. quero mais, quero mais. encosto a ponta da língua e, por fim, ela toda. como é doce. é delicioso. já me derrete pela boca. arrepio. o que era lento, começa a aumentar o ritmo. devoro tudo.
agora já não restam dúvidas, ele é insubstituível, incomparável. o melhor de tudo é que agora é só meu, ninguém pega, ele está dentro de mim.
ai ai, nada como um chocolate para uma mulher no período pré-menstrual.
apesar de não ser dada a iniciativas, me aproximo como quem quer tudo - nada de quem não quer nada. todo mundo quer alguma coisa. eu quero ele.
continua parado, estático. me encara, penetra nos meus olhos, na minha pele. invade meus pensamentos, controla meu desejo, que nessa altura já é óbvio, o quero pra mim. só pra mim. sem dividir com ninguém. sem dar satisfação a ninguém.
estamos num lugar público, é bem verdade, mas não sinto mais vergonha. o que era uma vontade, já se transformou em necessidade, ânsia, desespero. quero tomá-lo pra mim. levá-lo pra longe, pra bem longe. pra dentro de mim.
já se passaram três minutos desde que o vi pela primeira vez e, eu, oras, eu continuo feito boba olhando pra ele. quero aproveitar cada segundo antes que ele me escorra pelos vãos dos dedos, como normalmente acontece com as pessoas.
não quero e não vou decepcioná-lo. já não tenho medo da decepção. somos só nós dois. e todo o mundo ao redor pouco importa.
finalmente o toco, lentamente, com a ponta dos dedos. nesse instante, a dor e a mágoa dos acontecimentos recentes começam a desaparecer. o encaro com gratidão. minhas lágrimas que não caíram, começam a secar. o nó na garganta se transforma em vontade de gritar. gritar pra todo mundo. "quero só ele, quero só ele". adeus, dor. adeus, melancolia.
e agora? agora preciso retribuí-lo. como alguém me provoca tantos sentimentos doces, e não ganha nada em troca?
é quando encosto meus lábios nele. lentamente. começando pelos cantos. dou uma mordidinha de leve. quero mais, quero mais. encosto a ponta da língua e, por fim, ela toda. como é doce. é delicioso. já me derrete pela boca. arrepio. o que era lento, começa a aumentar o ritmo. devoro tudo.
agora já não restam dúvidas, ele é insubstituível, incomparável. o melhor de tudo é que agora é só meu, ninguém pega, ele está dentro de mim.
ai ai, nada como um chocolate para uma mulher no período pré-menstrual.
sábado, 6 de setembro de 2008
só.
pra quem sempre esteve acostumada a muitas pessoas e agora prefere ficar sozinha: marcelo camelo e fernanda takai. solos.
a gente percebe que tá ficando adulto quando uma criança pega na tua perna achando ser a da mãe. se chora e pede um mc lanche feliz, é ainda mais doloroso.
a gente percebe que tá só e adulto quando quer mudar o blog por não se reconhecer mais, mas fica com preguiça.
a gente percebe que tá ficando adulto quando uma criança pega na tua perna achando ser a da mãe. se chora e pede um mc lanche feliz, é ainda mais doloroso.
a gente percebe que tá só e adulto quando quer mudar o blog por não se reconhecer mais, mas fica com preguiça.
terça-feira, 2 de setembro de 2008
c tem brochove?
Hoje é terça-feira
o céu borrou a cor
ó minha mão do céu
ó meu pé do chão
Eu não ouço vocês (mais alto)
eu não ouço vocês
eu não creio em vocês
Só acredito no semáforo
só acredito no avião
eu acredito no relógio
só acredito...
Hoje é terça-feira
e o céu se põe
debaixo do tapete
um tesouro
eu não acredito, não
Só acredito no semáforo
só acredito no avião
eu acredito no relógio
acredito no coração
não, não, não
Hoje é terça-feira
e todos meus amigos voam
com olhos de anis
com asas de fogo
e meus olhos cheios
de mágoa então.
Hoje é terça-feira
hoje é terça-feira
e todos meus amigos querem morrer.
o céu borrou a cor
ó minha mão do céu
ó meu pé do chão
Eu não ouço vocês (mais alto)
eu não ouço vocês
eu não creio em vocês
Só acredito no semáforo
só acredito no avião
eu acredito no relógio
só acredito...
Hoje é terça-feira
e o céu se põe
debaixo do tapete
um tesouro
eu não acredito, não
Só acredito no semáforo
só acredito no avião
eu acredito no relógio
acredito no coração
não, não, não
Hoje é terça-feira
e todos meus amigos voam
com olhos de anis
com asas de fogo
e meus olhos cheios
de mágoa então.
Hoje é terça-feira
hoje é terça-feira
e todos meus amigos querem morrer.
quarta-feira, 27 de agosto de 2008
só lida.
Solidão não é, necessariamente, estar sozinho. A solidão não vem sozinha. Solidão não é um sofá numa sala escura com uma caneca de café e um livro do caio fernando. Solidão é uma festa escura com uma garrafa de cerveja e um monte de gente rebolando a sua volta. Solidão não é o frio de cachecol. Solidão é o calor quase insuportável das costas expostas. Solidão não é subir a rua imaginando uma solução. Solidão é estar com os amigos e nenhum deles lembrar de pegar na sua mão para atravessar a rua. Solidão não é o silêncio a dois. Solidão é a conversa que não flui, o assunto que acaba. Solidão não é falar do tempo, efêmero ou lento. Solidão é falar do tempo, frio ou quente. Solidão não é um solilóquio. Solidão é um monólogo. Solidão não é um almoço sozinha em algum restaurante lotado. Solidão são os convites sem satisfação. Solidão não é o jazz ou o blues. Solidão é o carnaval, a rave e o bailão. Solidão não é a incerteza das decisões. Solidão é a verdade absoluta, o óbvio, o imutável. Solidão não é something no volume máximo no trajeto de ônibus. Solidão são umas 150 pessoas em um ônibus imenso, todas sem fones e nenhum ruído. Solidão não é baterem o telefone na tua cara. Solidão é o desliga você, amor, quando as duas partes envolvida no relacionamento já são duas partes e não uma. Solidão não é química, física e matemática. Solidão é quando só sobra a história. Solidão não é uma casinha apertada no alto de uma montanha. Solidão é a mansão da cidade grande, da piscina nunca usada. Solidão não é ter mil coisas pra fazer. Solidão é não tem alguém pra te ajudar. Solidão não é não saber. Solidão é ignorar. Solidão não é o choconhaque. Solidão é o martini. Solidão não é permanecer o mesmo. Solidão é mudar mudar mudar, todo dia, toda hora. Solidão não é se enganar com mentiras. Solidão é se iludir com verdades. Solidão não é ter ciúme da ex do seu atual. Solidão é ser sempre odiada pelas atuais. Ser sempre a ex namorada. Solidão não é sair sozinho. Solidão é beijar dez. Solidão não é baixar a cabeça para não ter de conversar. Solidão é falar sem parar. Solidão não é lembrar do passado. Solidão é querer saber do futuro. Solidão não é comprar mais um livro, embora não tenha acabado o que comprou antes. Solidão é comprar roupas que você nunca vai usar. Solidão não é levar um fora. Solidão é ganhar uma rosa ou um abraço de urso - via buddypoke. Solidão não é sentir ciume sozinho. Solidão é o ciume mútuo. Solidão não são as lágrimas. Solidão é o riso eufórico. Solidão não é o parnasianismo. Solidão é o concretismo. Solidão não é um texto seu. Solidão é um poema seu.
Solidão.
Só
lidar
só lidam
só lida
só
li
da
só lhe dão...
solidão
sólida.
Solidão.
Só
lidar
só lidam
só lida
só
li
da
só lhe dão...
solidão
sólida.
domingo, 10 de agosto de 2008
in-sen-sí-vel.
Embora eu (sobre)viva sob uma armadura - ou mesmo um escafandro, desses que permitem mergulhar fundo, fundo -, não posso admitir que me chamem de insensível. eu sinto. sinto não sentir, sinto sentir, mas nunca, JAMAIS, não sinto sentir. eu sinto. sinto muito. não tenho o lirismo de caio fernando, clarice lispector. não tenho lido sentimentalismos, mas posso dizer que lido com tais. Ao contrário, tenho skiado nas páginas de leminski e bukowski. os loucos incompreendidos. querem sensibilidade assim, descarada ? oras, já é agosto.
tenho tanto o que falar. tanto do ano que se passou desde que "comecei" com essa brincadeira de escrever pra todo mundo ler, tanto do último mês, dos últimos dias, das últimas horas, até dos últimos segundos - que por serem segundos, não são primeiros. Muda. MUDA. já não posto o que escrevo e provavelmente isso só vire post para eu me surpreender comigo mesma. esperar ser surpreendida pelos outros só tem me dado um resultado único e decepcionante: todo mundo é previsível. já calculo cada passo, de cada pessoa. é tudo tão óbvio quanto eu saber que a cada manhã às 6:00 meu despertador vai me acordar ao som de los hermanos, que vou dormir 10 minutinhos a mais, que vou sair de casa em cima da hora e ouvir reclamação da minha mãe pelo horário, que vou ter vontade de passar no mc donalds tomar um café de 400 mL (bendito seja), que vou desistir da idéia para não chegar atrasada na aula. e, depois disso, eu já sinto que vou desistir de todas (ou quase) as boas idéias que tenho. sinto muito.
tenho tanto o que falar. tanto do ano que se passou desde que "comecei" com essa brincadeira de escrever pra todo mundo ler, tanto do último mês, dos últimos dias, das últimas horas, até dos últimos segundos - que por serem segundos, não são primeiros. Muda. MUDA. já não posto o que escrevo e provavelmente isso só vire post para eu me surpreender comigo mesma. esperar ser surpreendida pelos outros só tem me dado um resultado único e decepcionante: todo mundo é previsível. já calculo cada passo, de cada pessoa. é tudo tão óbvio quanto eu saber que a cada manhã às 6:00 meu despertador vai me acordar ao som de los hermanos, que vou dormir 10 minutinhos a mais, que vou sair de casa em cima da hora e ouvir reclamação da minha mãe pelo horário, que vou ter vontade de passar no mc donalds tomar um café de 400 mL (bendito seja), que vou desistir da idéia para não chegar atrasada na aula. e, depois disso, eu já sinto que vou desistir de todas (ou quase) as boas idéias que tenho. sinto muito.
terça-feira, 15 de julho de 2008
quarta-feira, 25 de junho de 2008
Primeiro encontro ideal - Cara Estranho e A Flor
para ler ouvindo Sentimental do Los Hermanos.
dia frio de nariz vermelho, cachecol e da respiração mais forte e dolorosa. a dor aqui não é só pelo frio, ambos estavam frustrados e desacreditados. era um frio interno misturado com o externo naquela combinação que te faz tremer e te aperta, por todos os lados - sem o conforto de um abraço. ela tinha 40 minutos para chegar no trabalho, que era logo ali. ele tinha o mesmo tempo. tiveram também a mesma idéia de entrar em um café do centro da cidade cinzenta. ela achava o lugar bonito e, embora nunca tivesse entrado, sempre tivera uma vontade imensa de conhecer. ele conhecia, mas era um café como outro qualquer (só mais caro e perto, pensava ele).
ela sentou em uma mesa e tirou seu livro recém-começado. "um simples médio com creme, por favor". ele sentou nos bancos do balcão. "um espresso". os olhares enfim se cruzaram e, por mais que pareça idealizado, o tempo parou. tudo parou. eram só os dois. levantou e não precisou pedir, sentou na mesa com ela. ela guardou o livro na mochila - que lhe dava um ar especialmente colegial - e tirou os fones de ouvido que a isolavam do mundo. não queria mais se isolar, queria entrar no mundo do menino que agora estava frente a frente a ela. o menino do sorriso indeciso.
- o que você tava ouvindo?
- los hermanos. de onde vem a calma, sabe?
- ele não sabe ser melhor, viu. canta para mim, qualquer coisa assim sobre você (que explique a minha paz, tristeza nunca mais)
- se eu peco é na vontade de ter um amor de verdade
- deixa ser como será.
- nesta espera o mundo gira em linhas tortas
- moça, é preciso força pra sonhar e perceber que a estrada vai além do que se vê
- você supõe o céu. como pode alguém sonhar o que é impossível saber?
- ah, se o que eu sou é também o que eu escolhi ser, aceito a condição
- veja você, onde é que o barco foi desaguar...
- veja bem, meu bem. cada dia a mais é um a menos pro encontro acontecer
- talhando feito um artesão, a imagem de um rapaz de bem...
- e você... anda sozinha, me esperando pra dizer coisas de amor
- meu bem, você traz o mundo a meus pés
- és certeza entre o sim e o não
- loucura.
- até amanhã eu vou ficar, e fazer do teu sorriso um abrigo.
- do lado de dentro...
- és de tudo que mais belo existe
- é o mundo que anda hostil, o mundo todo é hostil. ninguém escapa o peso de viver assim...
- prefiro assim com você, juntinho, sem caber de imaginar
- o vento vai dizer...
- deixa o verão pra mais tarde
- enquanto eu penso você sugeriu um bom motivo pra tudo atrasar
- todo mundo sabe, quem te faz chegar mais tarde
- está tarde esta tarde, preciso ir... tenho 10 minutos para chegar no trabalho... adeus você
beijo
- ainda é cedo. eu vou tirar você desse lugar, eu vou levar você pra ficar comigo...
- ninguém dirá que é tarde demais
- tô voltando, não sei quando, pra roubar teu coração.
- nada vai mudar entre nós. já não vejo motivos. a gente é quem sabe, pequeno.
brilho nos olhos e nos sorrisos largos. o não amar é que é loucura.
toca o interfone do trabalho. ela atende. "tem algo aqui pra você".
um bilhete: "olha as flores que eu trouxe pra você, amor. são pra comemorar aquele dia que passei a viver do teu lado. te busco para ver deitar o sol." e algumas flores da rua junto com tulipa mais bonita que ela havia visto em toda a vida.
ela, que não ligava para flores, sorriu em paz. "ele é mais sentimental que eu"...
dia frio de nariz vermelho, cachecol e da respiração mais forte e dolorosa. a dor aqui não é só pelo frio, ambos estavam frustrados e desacreditados. era um frio interno misturado com o externo naquela combinação que te faz tremer e te aperta, por todos os lados - sem o conforto de um abraço. ela tinha 40 minutos para chegar no trabalho, que era logo ali. ele tinha o mesmo tempo. tiveram também a mesma idéia de entrar em um café do centro da cidade cinzenta. ela achava o lugar bonito e, embora nunca tivesse entrado, sempre tivera uma vontade imensa de conhecer. ele conhecia, mas era um café como outro qualquer (só mais caro e perto, pensava ele).
ela sentou em uma mesa e tirou seu livro recém-começado. "um simples médio com creme, por favor". ele sentou nos bancos do balcão. "um espresso". os olhares enfim se cruzaram e, por mais que pareça idealizado, o tempo parou. tudo parou. eram só os dois. levantou e não precisou pedir, sentou na mesa com ela. ela guardou o livro na mochila - que lhe dava um ar especialmente colegial - e tirou os fones de ouvido que a isolavam do mundo. não queria mais se isolar, queria entrar no mundo do menino que agora estava frente a frente a ela. o menino do sorriso indeciso.
- o que você tava ouvindo?
- los hermanos. de onde vem a calma, sabe?
- ele não sabe ser melhor, viu. canta para mim, qualquer coisa assim sobre você (que explique a minha paz, tristeza nunca mais)
- se eu peco é na vontade de ter um amor de verdade
- deixa ser como será.
- nesta espera o mundo gira em linhas tortas
- moça, é preciso força pra sonhar e perceber que a estrada vai além do que se vê
- você supõe o céu. como pode alguém sonhar o que é impossível saber?
- ah, se o que eu sou é também o que eu escolhi ser, aceito a condição
- veja você, onde é que o barco foi desaguar...
- veja bem, meu bem. cada dia a mais é um a menos pro encontro acontecer
- talhando feito um artesão, a imagem de um rapaz de bem...
- e você... anda sozinha, me esperando pra dizer coisas de amor
- meu bem, você traz o mundo a meus pés
- és certeza entre o sim e o não
- loucura.
- até amanhã eu vou ficar, e fazer do teu sorriso um abrigo.
- do lado de dentro...
- és de tudo que mais belo existe
- é o mundo que anda hostil, o mundo todo é hostil. ninguém escapa o peso de viver assim...
- prefiro assim com você, juntinho, sem caber de imaginar
- o vento vai dizer...
- deixa o verão pra mais tarde
- enquanto eu penso você sugeriu um bom motivo pra tudo atrasar
- todo mundo sabe, quem te faz chegar mais tarde
- está tarde esta tarde, preciso ir... tenho 10 minutos para chegar no trabalho... adeus você
beijo
- ainda é cedo. eu vou tirar você desse lugar, eu vou levar você pra ficar comigo...
- ninguém dirá que é tarde demais
- tô voltando, não sei quando, pra roubar teu coração.
- nada vai mudar entre nós. já não vejo motivos. a gente é quem sabe, pequeno.
brilho nos olhos e nos sorrisos largos. o não amar é que é loucura.
toca o interfone do trabalho. ela atende. "tem algo aqui pra você".
um bilhete: "olha as flores que eu trouxe pra você, amor. são pra comemorar aquele dia que passei a viver do teu lado. te busco para ver deitar o sol." e algumas flores da rua junto com tulipa mais bonita que ela havia visto em toda a vida.
ela, que não ligava para flores, sorriu em paz. "ele é mais sentimental que eu"...

